sábado, 31 de março de 2012

CICLO DE DEBATES: ENTRE AMIGOS É POSSÍVEL II


Continuando .... e assim mais amigos foram chegando, uns voando, outros descobrindo a realidade, por vezes procurando encontrar uma saída e ainda outros, ingressando e se misturando com a realidade.
Essa amostra conta com 86 poster, contendo 92 fotografias de algumas regiões de Portugal, do Brasil e da França.

Precisamos criar uma ponte que sirva de informação na luta contra o preconceito. Este povo sofre todos os tipos de problemas e enfrenta uma árdua luta interna para manter e preservar a sua identidade. É claro que existem problemas, somos humanos, passíveis de erro, mas nada que justifique atos de extermínio contra a vida, a cultura e a possibilidade de futuro de qualquer ser humano. Eis um povo forte que precisa obter a sua real colocação, com direitos e deveres, ocupando seu real valor. Que cada dia mais ciganos compreendam que para m udar o mundo e a visão da opressão se precisa derrubar barreiras e construir pontes dos dois lados. Conhecimento não se detém ; se expande.

Na Primeira Mostra Fotográfica da AMSK, "Ciganos Entre Amigos", buscam os as semelhanças e diferenças deste povo, que tem a terra como sua casa, através da imagem .
"É preciso ter em mente que a água nos benze, a lua nos abençoa, o fogo nos consagra, o ar nos liberta e a terra nos transforma. Só assim terem os os pés no chão, os olhos no horizonte e a mente nas estrelas.”
(Descendentes Calon e Kalderash)
.

 Os Fotógrafos

*Anne Kellen (Ciganos de Alagoas)
*Adalrich Malzbender ("Olhares Ciganos" (1995).
*Ana Ruas Alves (As casas de lata - proximidades/Coimbra e Porto).
*Sérgio Aires (“ Terra de ninguém”)
*Ingrid Ramanush (Acervo da Embaixada Cigana do Brasil Phralipen-Romani)
*Flávio José de Oliveira Silva (“Das tendas às
telhas: a educação escolar das crianças ciganas da Praça Calon-Florânia/RN”)

*Bruno Gonçalves (a realidade dos ciganos Calons do Norte de Portugal)
*AMSK/Brasil (Saintes Maries de La Mer/2011)



Pão de coco com açafrão
( a receita é de Neide Rigo)

1 envelope de fermento biológico seco
3 colheres (sopa) de açúcar
3 xícaras de água morna (720 ml)
1 xícara de farinha de coco
1 colher (chá) de  (açafrão-da-terra) em pó
2 colheres (chá) de grãos de coentro tostados e triturados
1 colher (sopa) de sal
1 ovo (coloquei 2 caipiras)
Cerca de 1 kg de farinha de trigo branca
1/2 xícara de óleo de coco (usamos o normal, de girrasol)


 
Numa bacia dissolva o fermento com um pouco da água morna, só para virar uma pasta. Junte o açúcar, o resto da água, a farinha de coco, a cúrcuma, o coentro, o sal e o ovo. Misture bem com uma colher de pau. Acrescente a farinha branca, aos poucos, primeiro mexendo com a colher e depois, sovando bem com as mãos, até formar uma massa macia. Junte, então, a gordura de coco e misture bem para incorporá-la à massa. Se for preciso, junte mais farinha de trigo, até formar uma massa que se solte das mãos. Você pode fazer tudo isto numa bacia grande ou numa superfície enfarinhada. Cubra a massa com plástico e deixe crescer, até dobrar de volume.
Divida a massa em 4 partes, abra a massa com rolo em retângulo comprido e molde como rocambole. Ou modele do jeito que preferir. Polvilhe farinha sobre os pães ou, melhor ainda, pulverize água - ou ainda passe o pão sobre a torneira aberta rapidamente -, e role o pão sobre farinha de coco espalhada sobre a pedra de trabalho (pode fazer isto com aveia, farelo, gergelim, nozes quebradas - depende do que é o seu pão). Coloque-os numa assadeira untada e enfarinhada.
Cubra com pano e deixe crescer novamente (dentro do forno, por exemplo). Leve para assar em forno bem quente, cerca de 280 graus, pré-aquecido, por 10 minutos. Diminua para a temperatura mais baixa (em fogões domésticos - por volta de 150 graus, em forno elétrico) e deixe assar por mais 50 minutos. Devem estar dourados. Tire da assadeira, embale em sacos de pano ou papel e leve ao piquenique.
Rende 4 pães
Nota: se quiser guardar, deixe esfriar numa grade ou apenas coloque-os apoiados na borda da assadeira, para que o fundo dos pães não fique suado. Depois é só embalar e consumir em 3 dias (ou, para mais tempo, deixe-os na geladeira ou congele).

As fotografias da realidade, são como os pães. As fotos matam a fome de saber, do momnto exato, os pães matam a fome do corpo na hora exata.

AMSK/Brasil
Cozinha dos Vurdóns

quarta-feira, 28 de março de 2012

CICLO DE DEBATES: ENTRE AMIGOS É POSSIVEL...

Na segunda feira, lá pela uma da tarde, o interfone toca: estão subindo com uma caixa, uma encomenda, dizem.

"Vale ter amigos" e vale muito. A cozinha pediu socorro e seu pedido foi atendido prontamente. Precisávamos de ajuda com textos, livros, fotos e documentos ... chegaram ...
Mas chegaram recheados de carinho e da vontade de ajudar, chegaram sem que a pessoa que os deu conhecesse as pessoas que receberiam...
Chegaram e junto com eles chegou a esperança, a alegria e a emoção...


Chegaram e mal podiam ser vistos pelas mão aciosas de todas nós ...
Vieram de Portugal, mais precisamente do Porto ... atravessaram o mar e assim que abrimos a caixa, nos parecia ouvir: chequei, estou junto de vocês.


Entre teses e dissertações, contos e relatos diários, onze amigos vieram dar o reforço que precisávamos e todos refletiam o sorriso da Cláudia, sim, a livraria Lumierè, procurou, pesquisou e nos enviou de presente, 11 livros que serão de muita ajuda e que fazem parte do trabalho que tanto lutamos e teimamos em continuar.


De 1974 até 2006 - neles um pouco da história, neles uma história de amizade e de carinho. Neles estão contidos, confiança e a certeza de que para mudar alguma coisa em nossas vidas ou no mundo, precisamos percorrer uma estrada de ida e de volta.

Não conhecemos a Cláudia, nunca fomos ao Porto e ela tão pouco nos conhece. Mas ela quiz acreditar e é por isso que essa pinguela, essa ponte,  se consolita a cada dia, baseada na possibilidade da realização de um sonho, de uma utopia. Sempre recebemos o carinho de Portugal, de uma forma ou de outra. No ano novo nos chegou um cartão da Carlota, segunda os livros e durante esses dois messes que antecedem o evento, de todos os cantos de Portugal nos chegam fotos. . . essa é outra história . . .


Aos nossos anjos amigos, guardiões da esperança, a começar pela Cláudia e pela livraria Lumierè, as rosas azuis, o nosso simbolo e a certeza de que não a esqueceremos jamais. Nais tukê. 
Estaremos sempre juntas, porque para a amizade e o amor, não existem fronteiras, não existem barreiras, não se tem terra fertil para o preconceito e a discriminação.

AMSK/Brasil
Cozinha dos Vurdóns

domingo, 25 de março de 2012

CICLO DE DEBATES - CIGANOS: UMA HISTÓRIA INVISÍVEL.


Clique no cartaz e confira a programação
AMSK Brasil

Precisamos criar uma ponte que sirva de informação na luta contra o preconceito. Este povo sofre todos os tipos de problemas e enfrenta uma árdua luta interna para manter e preservar a sua identidade. É claro que existem problemas, somos humanos, passíveis de erro, mas nada que justifique atos de extermínio, contra a vida, a cultura e a possibilidade de futuro de qualquer ser humano. Eis um povo forte que precisa obter a sua real colocação, com direitos e deveres, ocupando seu real valor. Que cada dia mais ciganos compreendam que para mudar o mundo e a visão da opressão se precisa derrubar barreiras e construir pontes dos dois lados. Conhecimento não se detém; se expande.

Veja a programação aqui.


"É preciso ter em mente que a água nos benze, a lua nos abençoa, o fogo nos consagra, o ar nos liberta e a terra nos transforma. Só assim teremos os pés no chão, os olhos no horizonte e a mente nas estrelas.” (Descendentes Calon e Kalderash)

Assim, agradecemos todos os nossos amigos, do Brasil e de Portugal, que fizeram com que o "PROJETO KALINKA: CIGANOS NA MINHA ESCOLA, UMA HISTÓRIA INVISÍVEL" resultasse num estudo sério, capaz de juntar amigos, plantar flores e começar a construção de pontes.
E foi nessa cozinha, na nossa Cozinha dos Vurdóns que recebemos o carinho e a certeza de que a luta nunca é em vão.

Nais tukê
Cozinha dos Vurdóns - um projeto da AMSK/Brasil

sábado, 24 de março de 2012

MULHER CIGANA


 Filomena Franz
 
 Nascida em 1922 em Biberach an der Riss, aos sete anos, ela ganhava a vida como dançarina (folclore) e cantora em um grupo de teatro. Em 1943, ela foi enviada para Auschwitz, e depois para os campos de concentração de Ravensbrück e Oranienburg. Da guerra só lhe restou um irmão, todos os outros 9, não resistiram . Ela escreve em sua maioria contos ciganos e organiza leituras literárias nas escolas e universidades e vive em Rösrath perto de Colônia.  


Em agosto de 1995 ela foi premiada com a "Cruz de Mérito Federal" Bundesverdienstkreuz- a mais alta condecoração civil que confere Alemanha. Ela foi a primeira Sinti agraciada com o prêmio para ela "se esforça nas atividades após o entendimento e a conciliação."

 Tortinhas de alho poró


Prepare o recheio:
1 alho porô, cortado em fatias,
salsinha e manjericão fresco,
azeite e sal,
amasse dois dentes de alho.

A massa:
Ponha tudo no liquidificador:
5 ovos,
1 colher de sopa de manteiga,
1/2 xícara de leite,
1 xícara de café de farinha de trigo integral e uma de farinha de arroz,
sal e uma pitada de pimenta,
Agora misture e não bata:
1 xícara de café de queijo culinário ou requeijão
1 colherinha de fermento.

Mistue tudo e coloque em forminhas pra assar, essas são de silicone - e viva a evolução, sem untar. Forno quente.
Com 30' você já pode ver se estão prontas - deu 12 forminhas. Fica pronta quando o palito sair limpo.
E seguimos pensando na vida e nas coisas que precisam ser feitas.

Cozinha dos Vurdóns

terça-feira, 20 de março de 2012

A POESIA DE USIN KERIM


Nascimento no acampamento

 

 

Nascí entre as velhas tendas,
em meio ao falar dos Ciganos
que narram à luz da lua
a fábula de uma branca cidade distante.
Nascí na miséria, entre os campos
ao longo do Beli Vit, sob plangentes salgueiros,
onde a angústia aperta os corações
e a fome pesa no saco de farinha.
Nascí num dia triste de outono
ao longo da estrada envolta em neblina,
onde a necessidade chora junto aos pequeninos
e a dor destila quente entre os cílios.
Nascí, e minha mãe morria.
O velho pai me lavou no rio:
por isso é forte hoje o meu corpo
e o sangue me escorre dentro impetuoso.

Cigano búlgaro nascido em 1929, durante uma parada da caravana às margens do rio Vit. A poesia a seguir faz parte de uma série de composições autobiográficas. Nesta ele narra o momento de seu nascimento, que coincide com a morte de sua mãe...

VILA FLÔR
Matriarca Cigana
Portugal

Cozinha dos Vurdóns


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