terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

AMÁLIA RODRIGUES E OS CIGANOS DE PORTUGAL

Este vídeo é antigo, mas dá uma idéia dessa mulher extraordinária que foi Amália Rodrigues ás voltas com o povo cigano.

Areno, uma das grandes expressões da música cigana em Portugal, canta para Amália.

Um petisco para Sara
(uma receita muito antiga)

Quibe/Kibe frito
 Ingredientes da Massa
- 1 Kg patinho moído
- 3 cebolas médias
- 1/2 Kg trigo para quibe
- cerca de 25 folhas grandes de hortelã
- 1 ½ colher (sopa) de sal

- 1 colher (sopa) de tempero sírio
- 1 colher (chá) de canela (rasa)
- 1 colher (chá) de pimenta do reino (rasa)
- 1/2 noz-moscada ralada
- 4 colheres (sopa) bem cheias de manteiga (salgada)
Não se esqueça de comprar limão, depois de pronto com umas gotinhas de limão, fica de tirar o chapeu.

Recheio

- 1/2 Kg alcatra moída (ou outra carne que tenha um pouco de gordura),
- 3 dentes alho amassados,
- 1 cebola bem picadinha,
- sal e pimenta-do-reino a gosto,
- tempero sírio a gosto.


Modo de Preparo

Lave bem o trigo. Coloque o trigo de molho por uma hora em água. Enquanto isso, moa as 3 cebolas no processador até elas quase virarem pasta. Faça o mesmo com as folhas de hortelã. Esprema bem as cebolas e a hortelã para tirar o excesso de caldo e para o quibe não ficar verde. (se quiser pique bem fininho) A carne você pode já mandar moer por duas vezes. Misture a carne com a hortelã e a cebola. Adicione o trigo, tomando o cuidado de espremer entre suas mãos todo excesso de água. Junte os temperos e a manteiga. Misture tudo muito bem, até ficar bem homogênea. Leve ao congelador por cerca de 1 hora. Depois, retire do congelador e coloque 1/2 copo de requeijão de água gelada. Misture tudo muito bem (este é o segredo do quibe macio). Neste momento, a
massa está pronta. 

Preparando o recheio: 

Refogue o alho a cebola e os temperos que quiser em 2 colheres (sopa) de manteiga, acrescente a carne e refogue tudo. Pode-se fazer isso enquanto o trigo estiver de molho, para que quando for usar este recheio já esteja frio. (por aqui a gente põe queijo também).

com queijo fica assim...

Fritando o nosso quibe:

Coloque água num prato molhe as mãos, pegue uma bolinha de 
massa e vá dando forma ao quibe, depois fure-o com o dedo e vá rolando-o na mão e alargando o furo, até deixá-lo de bom tamanho, coloque o recheio feche a pontinha e é só fritar em bastante óleo. (quente, muito quente).


Tempro Sírio: Moa tudo ou compre pronto, com esse nome mesmo, tempero sírio.

2 colheres de sopa de pimenta-da-jamaica, 1 colher de chá de cravos, 1 colher de sopa de pimenta-do-reino preta, 1/2 colher de chá de noz moscada ralada, 1 colher de chá de canela em pó.

Nos lembramos muito da Ana, da Isabel e da Maria, porque amam Amália Rodrigues e nos lembramos da Sara, por causa do quibe.

Cozinha dos Vurdóns

domingo, 26 de fevereiro de 2012

QUIBE DE ALHO PORÓ, DEBRET E O BARÃO DE ESCHWEGE


O desenhista e pintor francês Jean-Baptiste Debret (1768-1848), cuja obra é de grande valor para o estudo da história do Brasil no início do século XIX, integrou a missão artística francesa que veio ao Brasil em 1816, permanecendo por 15 anos, exercendo intensa atividade didática, escreveu e ilustrou “Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil” em três volumes (1834-1839) documentários sobre a natureza, o homem e a sociedade fluminense no princípio do século XIX.



 
Durante sua estada em nosso país (1816-1831), Debret retratou-os e sobre eles deu o seu depoimento, afirmando que caracterizavam “tanto pela capacidade como pela velhacaria que põem no seu comércio exclusivo de negros novos e de escravos civilizados”, informando que “os primeiros ciganos vindos de Portugal desembarcaram na Bahia, e se estabeleceram, pouco a pouco, no Brasil, conservando nas suas viagens, as habilidades do povo nômade”. E contaminado, ele também, pelo preconceito, afirma: “Esta raça desprezada tem por hábito encorajar o roubo e praticá-lo; roubam sempre alguma coisa nas lojas onde fazem compra e, de volta para casa se felicitam mutuamente por sua habilidade repreensível”. No Rio de Janeiro eles se instalaram na Rua dos ciganos (atual Rua da Constituição) até 1808, quando procuraram outras localidades mais próximas das estradas do interior, levados pelo seu comércio de ouro e de cavalos.
 
GILFRANCISCO: jornalista, professor da Faculdade São Luis de França e membro do Inst. Histórico e Geográfico de Sergipe. Em CIGANOS, UM MILÊNIO DE HISTÓRIA.

QUIBE DE ALHO PORÓ



500 grs de farinha de quibe - 2 hs de molho em água e depois esprema, retirando toda a água,
1 alho poró (talo) grande, fatiado em rodelas finas,
4 ovos,
1 colher (sopa) de pasta de sal e alho - cheia,
1 cenoura ralada,
1 xícara (chá) de hortelã picada,
10 azeitonas pretas fatiadas,
1 xícara (café) de azeite extra virgem,
4 colheres(sopa) de alcaparras - sem a água de conserva.
salsinha e cebolinha seca,
1 cebola média ralada.


Misture tudo até que o ovo tenha sumido na massa e todos os ingredientes estejam espalhados. Coloque numa forma quadrada - média (o quibe fica com uns 3 dedos de altura), e como não cresce, tudo bem. Agora afunde com o dedo umas 12 bolinhas de queijo - muzarela de búfala. Faça demarcações de leve com a faca e coloque pra assar em forno quente - uns 260º, por 45' aproximadamente. Limão não pode faltar e uma baguete é boa companhia. 

O Barão - um admirador

 O Barão de Eschwege - 1777/1855, militar, ngenheiro e naturista alemão, após ter trabalhado em mineralogia na Alemanha, passou a serviço de Portugal, vindo para o Brasil por ocasião da transferencia da corte Portuguesa para o Rio de Janeiro, narra a partipação entusiasta de um grupo de ciganos na comemoração pública quando do casamento da Princesa D. Maria Teresa, primogênita do Principe Regente, com seu primo, Infante de Espanha, D. Pedro Carlos, a 13 de maio de 1810. O Barão informa: "Os ciganos foram convidados para as festas dadas na capital brasileira por ocasião do casamento da filha mais velha de D. João VI ... Os moços desta nação, trazendo a garupa suas noivas, entraram no circo montando belos cavalos ricamente ajaezados...Executaram lindos bailados que eu jamais vira...os dos ciganos como os mais agradáveis...
***
Nisso, um outro grupo salta na liça: os ciganos.
Guiando soberbos cavalos brancos arreados com igualdade e riqueza, balançando penachos implantados em discos de forma lunar, luzidos criados transpõem as barreiras.
Os bailadores trazem as bailadeiras à garupa: morenas, sedutoras como as profetisas gentias.
Os homens trajam jaqueta escarlate, calção de veludo azul, meias de seda cor de rosa, chapéu desabado de veludo com plumas, sapatos baixos de fivelas. As moças ajustam à cintura flexível costume de veludo, primorosamente bordado, calção, sapatos de cetim branco com ramagens de ouro; na cabeça, como um turbante de nuvens, um toucado azul, recamado de estrelas, como o diadema das noites do Oriente.
A embaixada cigana dirige-se ao palanque real; a música toca, e os corcéis, levemente fustigados, empinam-se no centro da planície, rodam, dançam a polca.
A multidão, contente do desempenho, manifesta-se com ruído.
Findos os primeiros exercícios, os pajens tomam da brida dos animais e conduzem os cavaleiros ao recinto do baile.
Aí, depois das cortesias à família real,"uma salva de castanholas marca o princípio do dançado... E, ao som das guitarras, o fandango espanhol peneira, arde e geme — mansinho como as ondulações de um lago, quente como os beijos das odaliscas, lascivo como as inspirações do poeta-rei.
Os dançarinos são vitoriados: flores, fitas, aplausos, eles os conquistam pela magia plangente de seus instrumentos, pela graça ideal de suas danças.
Dom João VI, participando do agrado geral, fá-los vir à sua presença. Uma banda de música precede-os na maior ordem.
Subindo ao pavilhão, dois camaristas trazem, estendidos num coxim de púrpura, os prêmios que lhes eram destinados: patentes militares aos homens e jóias às mulheres.
As ovações, os vivas a el-rei e as harmonias coroavam os artistas e a festa... Restabelecido o silêncio, voltaram jubilosos a seu palanque.
Preludiaram na guitarra uns acordes casados a vozes de uma cantilena em sua linguagem.
A tradição olvidou a toada e as letras... Para o sr. Pinto Noites, era o Canto egipcio.
Às 6 horas os clarins, à frente de enorme préstito, ecoavam na cidade. El-rei nosso senhor via as luminárias...
Uma mulher trigueira, no auge da aflição, olhando para uma cruz vermelha, pintada no alto de sua porta, fitou o rei na sua passagem, e, estendendo os braços, como que querendo repelir uma visão perseguidora, exclamou:
Jála-te, bengue! (vai-te diabo)!
 Morais Filho, Alexandre José de Melo. Os ciganos no Brasil e Cancioneiro dos ciganos. Belo Horizonte, Editora Itatiaia; São Paulo, Editora da Universidade de São Paulo, 1981 (Reconquista do Brasil, nova série, 59), p.25-33). 
 Arquivo Nacional - História Luso-Brasileira. 

Cozinha dos Vurdóns,
remexendo na história.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A INCLUSÃO COMO CAMINHO - II

Em 1948, como uma resposta aos horrores ocorridos na II Guerra Mundial, a recém criada Organização das Nações Unidas promulgou a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Nela, direitos fundamentais como o direito à vida, à liberdade de expressão, ao trabalho e à educação foram reafirmados e alçados à categoria de direitos inalienáveis de qualquer pessoa, direitos que todas e todos nós temos pelo simples fato de sermos humanos. 

Passados mais de 60 anos da promulgação da Declaração, a concretização dos princípios deste tão importante documento segue sendo um desafio. Ao passarmos os olhos mais uma vez pelos 30 artigos que a compõem, nos deparamos com frases simples e diretas, orientações claras elaboradas por representantes de diferentes origens culturais e jurídicas - um arcabouço de idéias de rápida e fácil apreensão e que fazem todo o sentido se pensarmos no que significa direitos fundamentais

Atualmente, a Declaração Universal dos Direitos Humanos  é divulgada em mais de 360 idiomas, sendo o documento mais traduzido no mundo. Este enorme alcance, bem como os progressos realizados pela humanidade em termos de conhecimento, informação e comunicação, deveriam nos permitir ver claramente refletidos no ordenamento jurídico dos países e nos processos de formulação de políticas públicas os princípios contidos neste documento. No entanto, é embaraçoso perceber que muito do que foi ali pactuado segue sendo um desafio em termos de concretização em diferentes países do mundo. 

Em seu  Artigo 1°, a Declaração afirma:
"Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade". Iguais em dignidade e direitos, sem qualquer distinção de raça, cor, sexo, religião, opinião política... ou qualquer outra situação, como afirmado no Artigo 2°. Mais à frente, em seu Artigo 26, a Declaração afirma o direito de todas as pessoas à educação.

Fonte: Anistia Internacional, 2008.

Muito se fala em direitos humanos e, em certos momentos, é importante lembramos de seu real significado, resgatá-lo para que ele não se esvazie. Quando falamos em direitos humanos nos referimos a um conjunto de necessidades que devem ser atendidas para que todos os seres humanos - homens e mulheres - vivam com dignidade e tenham as mesmas condições de progredir, de desenvolver suas potencialidades e de contribuir para a sociedade na qual estão inseridos.

Recorrentemente temos nos referido à importância da educação, da geração de conhecimento e da disseminação de informação como uma poderosa arma contra o preconceito e a discriminação. E nessa discussão é fundamental não esquecer que o direito à educação é um direito humano, um direito fundamental e universal que faz parte do conjunto de direitos que, se garantidos, protegem e afirmam a dignidade humana. 

Há décadas, as crianças ciganas têm sido vítimas de discriminação no sistema educacional dos países. De acordo com o estudo From Segregation to Inclusion: Roma Pupils in the United Kingdom - A Pilot Research Project, lançado em 2011, países do Leste Europeu, como a República Theca e a Eslováquia, têm sido constantemente criticados na esfera internacional por adotarem a prática de encaminhar crianças ciganas para escolas segregadas ou para escolas especiais, destinadas a crianças com problemas mentais. Aqui nos deparamos, portanto, com uma grave violação de direitos humanos.

Fonte: http://www.edupics.com/photo-croatia-roma-children-and-women-i13134.html
Mulheres e crianças ciganas, Croácia, 1941


De acordo com o mesmo estudo, em 2007, o tema da discriminação de crianças ciganas no sistema escolar foi objeto de denúncia à Corte Européia de Direitos Humanos. No julgamento, a Corte avaliou que "o desproporcional encaminhamento de crianças ciganas para escolas especiais, sem uma justificativa objetiva e razoável, significava uma discriminação indireta ilegal e uma violação à Convenção Européia de Direitos Humanos. Neste julgamento, a Corte requereu à República Tcheca que adotasse medidas para por fim à discriminação contra ciganos e ciganas no sistema educacional". 

Diante da realidade da discriminação, a pesquisa-piloto realizada no Reino Unido buscou levantar a situação de crianças ciganas tchecas e eslovacas que migraram com suas família, buscando compreender seu processo de inserção no sistema escolar inglês. No período de junho a agosto de 2011, o estudo cobriu oito localidades inglesas e entrevistou 61 estudantes ciganos - tchecos e eslovacos - 28 pais e mães ciganas e 25 escolas. A pesquisa revelou que 85% dos estudantes entrevistados havia frequentado escolas especiais ou classes segregadas na República Tcheca e na Eslováquia e que grande parte daqueles que frequentaram escolas especias foram encaminhados para estas instituições após terem sido submetidos a um teste psicológico, aos 7 ou 8 anos de idade. O estudo também demonstra que, ao se referirem às escolas da República Tcheca e da Eslováquia, a grande maioria dos estudantes ciganos entrevistados afirmou ter experienciado o racismo ou algum tipo de abuso verbal por parte de seus colegas, assim como um tratamento desigual e discriminatório por parte dos professores e professoras, inclusive com alegações sobre a utilização de castigos físicos.

Publicada no blog Givology GW, em 29 de março de 2011

Ao realizar o levantamento sobre a situação das crianças ciganas nas 25 escolas inglesas pesquisadas, o estudo revela que apenas uma pequena porcentagem delas - 2% a 4% - de fato necessitavam de educação especial por apresentarem dificuldades de aprendizagem ou algum tipo de deficiência. Este dado confirma a decisão tomada pela Corte Européia de Direitos Humanos em 2007: crianças ciganas estão sendo encaminhadas para escolas especiais sem qualquer justificativa razoável, o que revela uma prática motivada pela discriminação. 

A experiência vivenciada pelas crianças ciganas nas escolas do Reino Unido mostra a possibilidade do reconhecimento, respeito e co-existência entre diferentes grupos étnicos. Em sete das oito localidades inglesas pesquisadas os estudantes ciganos e ciganas afirmaram não terem vivenciado qualquer tipo de racismo nas escolas. Em sua grande maioria estes estudantes declararam preferir as escolas do Reino Unido em razão da ausência de racismo e discriminação e por promoverem a igualdade de oportunidades. Os pais e mães entrevistados expressaram seu reconhecimento e valorização com relação ao ambiente escolar no Reino Unido, destacando terem observado o sentimento de seus filhos e filhas de serem bem vindos, e a possibilidade de experienciarem um ambiente no qual a igualdade de oportunidades e tratamento é uma realidade. Todos eles afirmaram que a busca por melhores oportunidades de educação e emprego para suas crianças foi uma das principais razões que motivaram sua decisão de migrar para o Reino Unido. Muitos deles acreditam que a transformação destas atitudes e práticas discriminatórias na República Tcheca e na Eslováquia levará gerações para se concretizar e alguns chegam a duvidar que esta realidade algum dia  se transforme.Todos eles acreditam que as chances de suas crianças serem bem sucedidas é maior no Reino Unido do que na República Tcheca e na Eslováquia.

 
UNICEF, Montenegro

O preconceito e a discriminação não são algo etéreo que paira sobre nossas cabeças. Sua matéria é bastante concreta, e tem impactos objetivos e profundos na vida das pessoas. Em um ambiente discriminatório, não há vencedores, todos perdem, inclusive aqueles que têm a ilusão da vitória, em termos da manutenção de seu poder e de seus privilégios. Perdem as pessoas que são discriminadas, por não terem a oportunidade de se desenvolverem em toda a sua plenitude. Perdem os países, por desperdiçarem os talentos e as qualidades de pessoas que muito poderiam contribuir para o crescimento e o desenvolvimento econômico e social. Perde quem discrimina, por desperdiçar a oportunidade de ampliar seus horizontes, reconhecer e aprender com o outro e com a diferença. A discriminação tem um custo - um custo econômico, um custo social, um custo político. São os ciclos de pobreza e isolamento social que são alimentados aqui. São a violência, a perseguição e os crimes de ódio que crescem em um cenário como este. São guerras que são iniciadas. São vidas que se perdem. 

Há saída? Sim, há! A humanidade já a encontrou. Ela está registrada em documentos, ela é repetida recorrentemente há décadas. Nós já sabemos o caminho a seguir:


"Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos.
Dotados de razão e de consciência, 
devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade"

Como diz o escritor brasileiro Guimarães Rosa em Grande Sertão: Veredas:


"O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: 
esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. 
O que ela quer da gente é coragem."

Nestes tempos de desassossego, precisamos ter coragem e agir. Mostrar que é possível. O tempo pode ser longo. O trabalho pode ser árduo. Porém, ao alcance de nossas mãos está a possibilidade de darmos a nossa pequena contribuição.

Cozinha dos Vurdóns














sábado, 18 de fevereiro de 2012

A DIVERSIDADE NA COZINHA E O COLO DE AVEIA


Um bolo (colo), com aveia, tradicional dos ciganos da Hungria, mas podemos por farinha de trigo por aqui ou mesmo chocolate.

Fiquem a vontade, na COZINHA DOS VURDÓNS e nas suas cozinhas, porque precisamos respeitar as diferenças e alimentar os nossos corações com respeito e muito carinho:

· 1/2 xícara (chá) de leite
· 1 colher (sopa) de suco de limão
· 3 ovos
· 1 colher (chá) de fermento em pó
· 1 xícara (chá) de açúcar
· 2 xícaras (chá) de aveia ou 1 1/2 xícara (chá) de farinha de trigo ou de farinha de arroz.

Bata tudo no liquidificador e coloque pra assar.

 Faça uma caldinha quente de água, laranja e açúcar e coloque por cima dos bolinhos, ainda quentes.

· 1 xícara (chá) de chocolate em pó – caso queira usar, nesse não usamos, aqui você muda a cobertura. Pode ser de café com chocolate.



A N T I C I G A N I S M O :
OS CIGANOS NA EUROPA E NO BRASIL

Muitas mulheres ciganas ainda usam longas saias, além de jóias de ouro e prata, mas inúmeras outras não. Inclusive porque é sempre mais difícil possuir este tipo de jóias. Muitas vezes mulheres ciganas e não-ciganas que se dedicam a atividades esotéricas costumam fantasiar-se de „cigana‟ conforme os estereótipos existentes na região, o que atrai mais clientes. Porque neste caso, mais importante do que ser, é parecer cigana, de preferência Kalderash. E para parecer uma cigana, somente usando um estereotipado vestuário cigano, nem que seja uma fantasia carnavalesca. Para quem quiser, na internet existem alguns sites que vendem roupas e outras coisas supostamente ciganas. Pg 18 - dhnet.
 Frans Moonen – Recife/Brasil 2011. A N T I C I G A N I S M O : OS CIGANOS NA EUROPA E NO BRASIL

Grupo Sara Kalí
(de danças tradicionais ciganas)

Esse é um estereótipo muito usado e corretamente apontado. Devendo ser compreendido e esclarecido.
O ouro sempre foi um metal precioso e de valor certo. Muitas mulheres o transportavam em forma de jóias – visto muitos kalderash serem ourives. Dinheiro seguro e sempre de troca fácil, o ouro nunca perdeu seu brilho e seu valor. Ainda hoje em muitos países, inclusive no Brasil, os dentes de ouro ainda são um enfeite e uma forma de manter para si, o valor agregado.
As saias largas e longas, floridas ou em negro, são vestuários típicos. Nos anos 70 com a explosão da onda hippe e da liberdade das mulheres, elas ocuparam espaço e junto com ele cresce o estereótipo – essa parte negativista, inconsistente e que afeta não só o uso das saias pelo seu real ponto cultural, como amplia as restrições de comportamento de todas as mulheres.

Cigana que é cigana usa saia.
Toda cigana usa badulaque.
Cigana só dança descalça.
Toda cigana sabe ler a mão.

 Maria Robim

E quanto aos vestuário a coisa fica preta. Se entre os diversos clãs o tema já se diferencia, imagina quando entra em cena o estereótipo.
O frio, a neve e os materiais mais acessíveis as rromís do leste europeu, são mais pesadas, mais fechadas na sua tonalidade. Usa-se muito veludo no colete e ele protege o peito e as costas do frio. É bonito de se bordar, tudo ganha brilho e cor. No entanto na Hungria o uso de aventais sobre as saias, mostram as roupas no seu dia a dia. São de panos mais fechados com estampas mais miúdas e sóbrias. Os lenços passam por higiene na cozinha, respeito as crenças, define esposas, sentimento de respeito e protegem do frio. Não existe um certo e os outros errados. Existe a tradição das famílias e o respeito por elas. Existem necessidades e adaptações.
Em países como o Brasil, o cetim ganhou força entre as kalins, é mais barato, tem um brilho inconfundível, é alegre, tem mobilidade e é fresco, visto o nosso clima tropical. São as sedas indianas, com seus brilhos e cores. É o luto das senhoras ciganas de Portugal e Espanha.
 Localizados nas cavernas de Sacromonte distrito, propriedade municipal, que foi restaurado para a ocasião, em nove salas diferentes objetos expostos relacionados com a cultura cigana.
Os enfeites de cabeça, os anéis, as pulseiras são demonstração de feminilidade, de beleza. São rosas no cabelo como em Espanha, são tiaras como na Rússia ou na Índia. São as tranças das ciganas da Roménia, são os coques das ciganas de Portugal.
Tudo isso e muito mais se confunde a tradição mais comum de todas as famílias de manter as pernas cobertas, essa é uma tendência e uma observação de costumes que costuma vigorar no meio de todas as mulheres de etnia cigana, mesmo assim, já existem diferenças. 

 Căldărari (Kalderash)
Desde 2003, a frente do “Grupo Sara Kalí” de danças ciganas, a prof. Lucimara, se preocupa em passar os conceitos básicos de como a dança cigana, seu vestuário e sua rotina diária são importantes dentro da vida de uma mulher. O carinho, a alegria, a expressão e a convivência. O respeito e a condição primária de ensinamento. A mãe que dança com a filha e com a neta pode desfrutar de respeito e de tempo de convivência, carinho e afeto. A alegria e a liberdade de movimentos trazem um benefício enorme a elas mesmas, as necessidades que são exclusivas das mulheres e a possibilidade de passarem mais conhecimento das tradições através da dança. Forma essa de expressão que pode e deve ser um dos veículos de disseminação de uma cultura, tão mal compreendida e que nos últimos anos tem sido alvo de interpretações erronias que levam a sérios desmandos, causando prejuízo a imagem não só das mulheres de etnia cigana, mas de todas as mulheres. 

 Kalderash - Roma ethnic group, part of a large group of Roma Gypsy. In Russia and Ukraine call themselves Kotlyar.
É muito bom trazer a tona, trabalhos como o do prof. Frans Moonem, que descreve em vários capítulos sobre os prejuízos causados por esses estereótipos.

E existem outros, a facilidade de imitar mulheres Calons, por estarem mais na linha de pobreza no Brasil, usando inúmeras bijuterias e andando descalças. Como se é notório ouvir de alguns Calons: “cigano pobre somos nós, os Calons” como se outras  famílias ciganas não pudessem passar por dificuldades assim, não mais habitassem em tendas e não passassem privações financeiras. (http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2011-05-24/ciganos-ainda-sao-%E2%80%9Cpovos-invisiveis%E2%80%9D-avaliam-estudiosos)


No Brasil são vários os de etnia cigana, Rom, Sinte e Calon, entre outros que já freqüentam cursos universitários, passam fome, trabalham, vivem, entretanto, os estereótipos ainda vão demorar algumas décadas para caírem no conhecimento dos desavisados de plantão ou dos “ciganos” de oportunidade.

 Grupo de ciganos
Di Cavalcante/dec de 20

As mulheres, dentro da cultura Romani, ocupam um espaço único, insubstituível, repleto e pleno de reconhecimento e respeito. Quanto mais entendimento, mais esclarecimento e mais cultura, melhor. 

Cozinha dos Vurdóns

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