terça-feira, 31 de janeiro de 2012


O mês de Janeiro acabou, viramos a página da folhinha. Entretanto essa cozinha não irá se esquecer de tudo o que relembramos juntas/os.


Há muito que se recordar, no intuito de não deixar que tais fatos voltem a acontecer, nas nossas ruas, com nossos parentes e amigos, conosco, com nosso país, com esse mundo que é nosso afinal.
Existe um sítio na blogosfera/em Português que tem feito esse trabalho de forma brilhante e a eles devemos o carinho da acolhida, a seriedade do trabalho e a compilação dos fatos e situações que envolveram e ainda envolvem o Holocausto/Porajmos. A competência de informação dada pelo prof. Roberto Lucena e toda a equipe.


http://holocausto-doc.blogspot.com/, sem dúvida uma documentação histórica.


Assim sendo, a partir de amanhã voltamos a cozinhar, certas de que aprendemos, com a certeza que é preciso saber para mudar e conscientes  de que precisamos ensinar as crianças a plantar. A Educação é sem sombra de dúvida a maior das conquistas que podemos ter, sem discriminar culturas e povos podemos viajar num mundo todo novo, aprendendo a respeitar as diferenças.

Então, nosso fogão volta a ascender às chamas, não sem polêmicas, fatos, denuncias, histórias e boas brigas e boas receitas por esse mundo afora.

Jóvem cigana com tambor-basco/Sarani

Tela de William Adolphe Bouguereau

É hora de mostrar o que dá certo, o que se pode fazer, contar as receitas de sucesso na vida e através dos tachos e caldeirões das Kalderas. O mundo tem mudado e vamos trazer isso pra vocês, as estórias felizes de roms que venceram e que com isso ajudam a construir um mundo mais igualitário.


E a todos vocês que passam por aqui e sempre colaboram: saibam que juntos podemos até ser poucos, mas as nossas vozes serão ouvidas, além do silêncio da opressão ou do grito da intolerância.


Ando Sara
Cozinha dos Vurdóns
Um projeto AMSK/Brasil

domingo, 29 de janeiro de 2012

NAIS TUKÊ

MUITO OBRIGADA


E marcaram seus caminhos com rosas.
As vezes chegamos a crer que alterar a voz não adianta,
que um simples gesto não muda um dia,
que um sorriso não constroi uma ponte
e que o mundo se esvai em palavras.

Alguns duvidam dos dias,
nebulosas que se apresentam,
no semblante que se fecha e nos olhos que se esvaem em lágrimas.
E perecem um dia antes do sol nascer.

Alguns duvidam da noite,
e se fecham com lampadas de neon
a espera do próximo filme,
sempre de ficção.
E morrem antes da lua despontar.

E deixam de plantar as roseiras,
de aquecer a cera,
de moldar as velas e ascendê-las com o fogo,
queimando as dores e preparando a terra.

Não existem heróis, existem guerras.
Guerras que se sustentam em misérias,
e que rasgam a carne e a alma.
Os heróis são devorados pelo medo e pela terra,
pelo sangue e pela vida que lhe é roubada.
Numa guerra não existem heróis.

Aos que plantam suas roseiras,
nos tempos de adversidade,
constroem pontes onde antes existiam abismos,
puxam o sol acima da linha do horizonte,
e sustentam a lua com as mãos.
Recolhem sorrisos e colam no céu,
plantam palavras e colhem flores.
Cultivam a abelha e fabricam as velas.

Nais tukê a todos os que plantaram roseiras e colheram flores
nesse janeiro de lembranças nebulosas,
pois acenderam as velas com o corpo e com a alma.
Com certeza iluminaram o céu.


E marcaram seus caminhos com rosas...

Ando Sara,
a nossa esperança reside em plantar roseiras.
Cozinha dos Vurdóns

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

DIA INTERNACIONAL DAS VÍTIMAS DO HOLOCAUSTO/PORAJMOS - 27 DE JANEIRO

 Para Cada Pessoa Há um Nome

Para cada pessoa há um nome
outorgado sobre ela por Deus,
a ela dado pelos seus pais.

Para cada pessoa há um nome
concedido pela sua estatura
e pelo seu sorriso
e pela sua forma de vestir.

Para cada pessoa há um nome
vertido pelas montanhas
e pelas paredes que a circundam.

Para cada pessoa há um nome
dado pela roda da Sorte
ou por aquilo que os vizinhos lhe chamam.

Para cada pessoa há um nome
inscrito pelas suas falhas
ou pelos seus desejos.

Para cada pessoa há um nome
entregue pelos seus inimigos
ou pelo seu amor.

Para cada pessoa há um nome
derivado das suas celebrações
e da sua ocupação.

Para cada pessoa há um nome
apresentado pelas estações
e pela sua cegueira.

Para cada pessoa há um nome
  que ela recebe dos mares
 e que lhe é dado pela sua morte.


Zelda, poeta israelita falecida em 1984. Este poema, Para Cada Pessoa Há um Nome, tornou-se sinônimo da necessidade de recordar as vítimas do Holocausto e anualmente é recitado em cerimônias oficiais em Israel e em muitas partes do mundo. No 27º dia do mês hebraico de Nisan, comemora-se o Yom HaShoah, o Dia Memorial do Holocausto. No dia 27 de janeiro de cada ano se comemora o Dia das vítimas do Holocausto/Porajmos Romani. Porque nem todos os que morreram eram Romá ou Judeus, mas, todos os Judeus e os Romani foram os eleitos dessa vergonhosa chacina. Porque não se pode esquecer a História.

Cozinha dos Vurdons

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

UMA SOBREVIVENTE DO PORAJMOS



Bronislawa Wajs (1908 – 1987) 

Uma poeta com mais de 30 coleções de sua autoria, Papusza era uma fonte de força e esperança para a Roma durante a guerra.

Ela deu um testemunho imperioso sobre o porraimos (a devoração), extermínio dos ciganos nos campos de concentração nazistas, e sobre a vida escondida nas florestas durante a guerra na longa balada intitulada “Lágrimas de Sangue: tudo o que passamos sob o domínio alemão em Volhynia nos anos 43 e 44”. “Isabel Fonseca"

A declaração de Manush Romanov, ao final de uma visita aos ciganos em Sófia, sensibilizado com as condições do seu povo, transcrita pela autora, é significativa: “Enterrem-me em pé. Passei de joelhos toda a minha vida”.







Como nós padecemos sob 
os soldados alemães
                              
Volyn 1943-1944

Na floresta. Sem água, sem fogo - grande fome.
Onde poderia o sono das crianças? Sem tenda.
Nós não poderíamos acender o fogo durante a noite.
Por dia, a fumaça alerta os alemães.
Como viver com as crianças no frio do inverno?
Todos estão descalços ...
Quando eles queriam assassinar-nos,
primeiro eles forçaram-nos a trabalhos forçados.
Um alemão veio nos ver.
- Tenho más notícias para você.
Eles querem matá-lo hoje à noite.
Não diga a ninguém.
Eu também sou um cigano escuro,
de seu sangue - uma verdade.
Deus vos ajude
na floresta negra ...
Tendo dito estas palavras,
ele abraçou a todos nós ...

Para dois três dias sem comida.
Todos vão dormir com fome.
Incapaz de dormir,
eles olham para as estrelas ...
Deus, como é bonito de se viver!
Os alemães não vão deixar-nos ...

Ah, você, minha pequena estrela!
Ao amanhecer você é grande!
Cega os alemães!
Confundi-los,
desencaminhá-las,
para que a criança judia e cigana pode viver!

Quando o inverno grande vem,
o que a cigana com uma criança pequena faz?
Onde ela vai encontrar a roupa?
Tudo está se voltando para trapos.
Ninguém quer morrer.
Ninguém sabe, apenas o céu,
apenas o rio ouve as nossas lamentações.
Cujos olhos nos viam como inimigos?
Cuja boca maldita nós?
Não ouvi-los, Deus.
Ouve-nos!
A noite fria veio,
As mulheres ciganas de idade cantou
Um conto de fadas rromaní:
Inverno de Ouro virá,
neve, como pequenas estrelas,
cobrirá a terra, as mãos.
Os olhos negros vai congelar,
o coração vai morrer.

Tanta neve caiu,
cobria a estrada.
Só se podia ver a Via Láctea no céu.

Na noite de geada, tais
uma filhinha morre,
e em quatro dias
mães enterrar na neve
quatro filhos pequenos.
Sol, sem você,
ver como um cigano pouco está morrendo de frio
na floresta grande.

Uma vez, em casa, a lua estava na janela,
não me deixa dormir. Alguém olhou para dentro.
Eu perguntei - quem está lá?
- Abra a porta, meu rrom escuro.
Eu vi uma bela jovem judia,
tremendo de frio,
pedindo comida.
Coitadinho, meu pequeno.
Dei-lhe o pão, o que eu tinha, uma camisa.
Nós dois esqueceram que não muito longe
foram os policiais.
Mas eles não vieram naquela noite.

Todos os pássaros
estão orando por nossos filhos,
para que as pessoas mal, víboras, não vai matá-los.
Ah, o destino!
Minha sorte azarado!

A neve caía tão grosso como folhas,
barrados em nosso caminho,
neve pesada tal, ela enterrou o cartwheels.
Era preciso atropelar uma faixa,
empurrar os carrinhos por trás dos cavalos.

Quantas misérias e fome!
Quantas dores e estradas!
Quantas pedras afiadas trespassaram os nossos pés!
Quantas balas voaram pelos nossos ouvidos!

Traduzido do polonês por Yala Korwin.
Half-portrait of a Gypsy Boy by Franz von Defregger (1873)


COZINHA DOS VURDÓNS
NÃO É APENAS LENDA,
FOI REAL.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

A NOSSA AMIGA ANA; FELIZ ANIVERSÁRIO




Terás sorte e serás feliz.
Primeiro acredita em tí,
segundo crê nos céus,
e terceiro por fim,
mantenha a fé na terra.

Terás sorte porque receberás flores,
as vezes até os canteiros as trazem,
mas não a vemos ... veja ... são flores, terás sorte.


Serás feliz, pois aprenderá com os anos a enxergá-la,
... do teu lado direito o sol, do esquerdo a lua, no meio as estrelas;

Se tens olhos vê,
se tens pés, ande,
se tens mãos, abrace,
se tens dentes, sorri,
se tens boca, constroi;

pois teu coração foi forjado no fogo dos anos e teus sentimentos lavados nas pérolas do rio.


Creia,
és feliz,
creia,
tens sorte.
Só os grandes repensam suas vidas e acertam seus passos, procuram os caminhos e se dislumbram com as estrelas no céu. Só os grandes reorganizam seus sentimentos de modo a sempre se acharem pequenos e ainda distantes do céu. Só grandes mulheres respiram sensibilidade através dos poros. 

Terá boa sorte a mão que demarca a construção de um mundo novo ... vês? Ès feliz ... tens sorte e temos nós também, por tê-la.

 La Bonne Aventure (A boa-sorte )
Jacques-Louis David - 1824



 Feliz aniversário Ana,
Thiumidau tio ilô (beijo no teu coração)
Cozinha dos Vurdóns

sábado, 21 de janeiro de 2012

TODAS SOFRERAM, MUITAS MORRERAM

... e o sofrimento ia além do trabalho forçado. Ir para um campo de concentração significava, na maioria das vezes, morrer e se separar dos filhos, que também eram assassinados: “Quando uma família chegava, tinha uma separação. Geralmente a mãe ia para a câmara de gás com as crianças e o pai ficava no trabalho forçado”.


As mulheres não foram poupadas. Elas eram mandadas para a câmara de gás por não poder trabalhar e porque ainda poderiam dar a luz a outro da raça dos impuros - alvo dos extermínios.

 Gueto de Varsôvia
Tendo que suportar tantas agressões, 
as mulheres ainda eram abusadas sexualmente. 
Rochelle Saidel conta que muitas acabavam levadas
para uma espécie de bordel dentro dos campos para satisfazer alguns homens.


Tinha também a prostituição forçada para as mulheres.
“As mulheres eram forçadas a irem para bordéis
e voltavam muito doente para os campos”, 
revela a professora. 
De acordo com ela, as mulheres de Ravensbrück 
escreviam muitas receitas e 
conversavam sobre cozinha. 
Chegaram a escrever até mesmo livros. 
Tudo com a intenção de lembrar, com a comida, 
das famílias que perderam durante o Holocausto.

Fonte: (Pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP), Rochelle Saidel, estuda há 20 anos a violência contra as mulheres no Holocausto. Ela faz parte do grupo de estudo de mulheres e relações sociais de gênero (Nenge – Usp) e é autora do livro “The Jewish Women of Ravensbrück Concentration Camp” (As judias do campo de concentração de Ravensbrück).)




As mulheres não-judias eram igualmente vulneráveis. Os nazistas cometeram extermínios em massa de mulheres ciganas no campo de concentração de Auschwitz e em muitos outros; mataram mulheres portadoras de deficiências físicas e mentais nas chamadas operações de eutanásia T-4 e em outras similares; e também massacraram as que acusavam de serem partisans em muitas aldeias soviéticas entre 1943-1944. As mulheres ciganas costumavam dançar e fazer festa para as crianças nas noites que antecediam os extermínios, para que a última lembrança dos filhos fosse levada com eles.

 

Os Einsatzgruppen (equipes móveis de matança) mataram dezenas de milhares de romanis orientais emáreas que foram dominadas pelos alemães. Muitos foram assasinados nos campos de concentração/extermínio de:  Auschwitz-Birkenau, Chelmno, Belzec, Sobibor, y Treblinka. Os romanis também foram encarcerados aos milhares nos campos  de concentración de Bergen-Belsen, Sachsenhausen,Buchenwald, Dachau, Mauthausen, y Ravensbrueck.
                                                      
As mulheres tiveram papel importante em várias atividades da resistência ao nazismo. Este foi o caso das mulheres que, previamente à guerra, eram membros de movimentos juvenis socialistas, comunistas ou sionistas. Na Polônia, as mulheres serviam como mensageiras que levavam informações para os guetos. Muitas mulheres conseguiram escapar escondendo-se nas florestas no leste da Polônia e da União Soviética, e servindo nas unidades armadas dos partisans. Na resistência francesa, da qual muitas judias participaram, a atuação das mulheres não foi menos importante. Sophie Scholl, uma estudante alemã da universidade de Munique, e membro do grupo de resistência White Rose, foi presa e executada em fevereiro de 1943 por divulgar propaganda antinazista. Fonte: http://www.ushmm.org/

O campo de concentração Ravensbrück foi um campo de concentração feminino localizado 90 quilômetros ao norte de Berlim, na localidade Ravensbrück no município de Fürstenberg (Brandemburgo). Foi construído no outono de 1938 e em maio de 1939, com a transferência de prisioneiras de Lichtenburg, entre elas Olga Benário, tornou-se o único grande campo de concentração feito exclusivamente para mulheres. Durante sua existência, cerca de 132 mil prisioneiras oriundas de 23 países, junto com centenas de crianças, passaram por Ravensbrück, estimando-se que 92 mil foram vítimas de fome, fraqueza e execuções.

Em março e abril de 1945, a Cruz Vermelha sueca conseguiu libertar milhares de mulheres de Ravensbrück com a concordância do chefe da SS, Heinrich Himmler. Em 27 e 28 de abril, as mulheres restantes e que podiam andar foram forçadas a uma marcha da morte.
Em 30 de abril de 1945, o Exército Vermelho libertou o campo de Ravensbrück, onde encontrou somente três mil mulheres, muito doentes
. http://www.ravensbrueck.de/


6 mangas graúdas
1 cebola média
2 e 1/2 xícaras de vinagre
2 xícaras de açúcar
1/2 xícara de açúcar mascavo
2 colheres de sopa de gengibre ralado
1/2 pimentão vermelho
1/2 colher de chá de canela em pó
2 cravos-da-índia
2 colheres de sopa de uvas passas escuras
1 pimenta dedo-de-moça (opcional)
sal
Descasque as mangas e corte a polpa em cubos pequenos. Pique finamente a cebola e o pimentão e reidrate as uvas passas em um pouco de água fervente. Retire as sementes da pimenta se estiver utilizando e pique-a finamente. Coloque em uma panela o vinagre e o açúcar, o mascavo e misture bem, leve ao fogo até que o açúcar dissolva e acrescente todos os ingredientes. Misture bem e cozinhe em fogo baixo até obter a consistência de geléia fina. Retire do fogo e deixe esfriar. Sirva com carnes, aves e pães em geral.

Um prato muito comum na cozinha dos Judeus e Romanis, era o chutney de manga e outras frutas como o figo, muito conhecido também pela cozinha indiana, mas compartilhado por muitos povos. Compartilhamos aí o uso do mel, de vários pães e de muitos doces. Para unir as mesas uma receita de chutney de manga, que hoje pode ser feita em qualquer parte do mundo devido a globalização. Se podemos dividir pratos e receitas, podemos dividir ideais e somar idéias, para que a grande mesa do mundo seja mais justa.
Cozinha dos Vurdóns

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

A GENTE FEZ A TORTA DA MARIA



 A Maria (a nossa Maria de Cadiz) escreveu: Atrevo-me (¡eu!)a mandar-lhes uma receita que faço muitíssimo...
Nós respondemos: eita atrevimento bom.

Torta de laranja




 500 gr. de açúcar
8 ovos inteiros
raspa de duas ou tres laranjas
 




uma colher de sopa de sumo de laranja
uma colher de chá de manteiga




 









Bate-se tudo junto e vai ao forno en lata untada.

Leva 20 minutos em coalhar.






 







Desenforma-se num pano coberto de açúcar pilé e dobra-se como um braço de cigano.Serve-se fria.





A Maria escreveu: Desculpen a ousadia, mas é tão fácil e está tão rica que não me resisti...
Nós respondemos: DESCULPADA com louvor.

Cada vez que tiver dúvidas Maria, não resista e mande a receita tá? a gente perdoa...sempre.


beijos grandes de todas nós.
Cozinha dos Vurdóns

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

BERSA BIBAHTALE "OS ANOS INFELIZES"

Interrogatória da Polícia Polonesa

O Serviço alemão de Combate à Praga Cigana, sem dúvida alguma, foi o mais eficiente do mundo e poucos ciganos devem ter escapado de seus registros. No entanto, também em outros países foram realizados recenseamentos ciganos, foram criados cadastros permanentes da população cigana e criadas leis para evitar ou, pelo menos, controlar a sua presença no país. Até a famosa Interpol (na época chamada Comissão Internacional de Polícia Criminal) criou em 1936, em Viena, um Centro Internacional para a Luta contra a Praga Cigana, cujos arquivos foram destruídos em 1945. Ou seja, quando em 1933 os nazistas chegaram ao poder, tanto na Alemanha quanto em vários países vizinhos (p.ex. França e Holanda) que depois seriam ocupados, a maioria dos ciganos já estava devidamente registrada e identificada, e já existiam políticas anti-ciganas.

A diferença era que agora os ciganos passaram a ser perseguidos - e depois exterminados - também por motivos raciais, e não apenas por serem considerados associais ou criminosos natos. Embora os alemães tenham negado isto após a II Guerra Mundial, quando foram obrigados a pagar indenizações às vítimas perseguidas por motivos raciais (admitindo-se como caso único os judeus), e embora tenham sempre afirmado que os ciganos foram perseguidos por serem “associais”, e não por serem de uma raça diferente, não resta a menor dúvida que ambos os fatores pesaram na perseguição. Muitos documentos e ensaios “científicos” da época comprovam, sem sombra de dúvida, que não somente os judeus, mas também os ciganos eram considerados membros de “raças” diferentes consideradas perigosas, porque poderiam contaminar a pureza racial ‘ariana’. Para esta justificativa “racial”, a Alemanha pôde contar com vários médicos, biólogos e antropólogos.

Já em 1904 o antropólogo Alfred Ploetz fundou um “Arquivo para Raciologia e Biologia Social”, que no ano seguinte virou “Sociedade para Higiene Racial”. Anos depois, os antropólogos Bauer, Fischer e Lenz publicaram um manual sobre Genética Humana e Higiene Racial, que foi lido por Hitler quando, prisioneiro em 1924, escreveu Mein Kampf, a futura biblia nazista.Não pretendemos citar aqui todos os institutos alemães na época considerados ‘científicos’, ou todos os biologos, antropólogos e outros cientistas que na época se dedicaram a pesquisas raciais, eugenéticas e ciganas, porque estes dados encheriam algumas dezenas de páginas. Dois nomes, no entanto, merecem destaque, porque são citados por praticamente todos os autores que tratam desta época: o médico psiquiatra Robert Ritter e sua assistente, a enfermeira Eva Dustin, entre os ciganos Sinti mais conhecida como Lolitschai, “a moça ruiva”. 

Em 1937 Ritter se tornou diretor do Centro de Pesquisa para Higiene Racial e Biologia Populacional, com sede em Berlim, onde se dedicou intensivamente às pesquisas ciganas. Somente o nome deste Centro já é suficiente para provar que os ciganos eram considerados uma “raça’ diferente. Neste Centro, entre outras coisas, Ritter investigava uma suposta relação entre hereditariedade e criminalidade, elaborando complicadas árvores genealógicas de ciganos para medir o grau de ‘mistura racial’, para o que utilizava inclusive os dados do já citado Serviço de Informação Cigana de Munique, que foram transferidos para Berlim.
Ritter e os membros de sua equipe eram defensores da “eugenética”, ou “higiene racial”, segundo a qual devia ser evitada a procriação de elementos nocivos à sociedade. Entre as pessoas nocivas estavam não apenas os deficientes físicos e mentais, mas também os “associais hereditários” (mendigos, vagabundos, prostitutas, alcoólatras, homosexuais, desempregados crônicos, e.o., como se estas características fossem transmissíveis hereditariamente!), e as minorias raciais nocivas, como os ciganos e os judeus. Para “limpar” a raça humana, Ritter e outros tantos “eugenéticos” da época inicialmente propunham a esterilização destas pessoas (a total eliminação física só seria proposta alguns anos depois). Estima-se que na Alemanha nazista cerca de 400.000 pessoas foram esterilizadas, entre as quais muitos ciganos.
Grupo de crianças roms usadas nas pesquisas de Eva Justin

Foi nesta época que os biólogos alemães tentaram deseperadamente descobrir, com fins práticos, quais eram as características “raciais” ciganas, já que na maioria dos casos era impossível distinguir os ciganos do resto da população alemã através de características físicas específicas. Mas mesmo Ritter e seus colegas nunca foram capazes de descrever estas características. Daí porque, na Alemanha daquele tempo, era classificado como “Z” (de “Zigeuner”), ou seja “cigano puro” todo indivíduo com quatro ou três avós “verdadeiros ciganos”; como “ZM+” ou mestiço em primeiro grau era classificado quem tinha menos do que três avós “verdadeiros ciganos”; “ZM-” era o mestiço em segundo grau que tinha pelo menos dois avós “ciganos-mestiços”; avó ou avô “verdadeiro cigano” era aquele que sempre tinha sido reconhecido, pela opinião pública, como “cigano”. Ou seja, no final das contas tratava-se de critérios subjetivos, e não científicos. Ritter chegou a classificar “racialmente” cerca de 25 a 30 mil ciganos alemães, mas a quase totalidade era, segundo ele, formada por mestiços, ou seja, eram candidatos à esterilização, confinamento em campos de concentração e, finalmente, extermínio.

No início dos anos 40 alguns nazistas intencionavam ainda conservar para a posterioridade uma “amostra” de Sinti “puros”, melhor dito, oito famílias Sinti e uma família Lalleri, que seriam confinadas numa espécie de “reserva cigana” a ser criada na Hungria e administrada pelo Instituto do Patrimônio Histórico. Esta “reserva cigana” nunca chegou a se tornar realidade; no final, também estes ciganos “puros” terminaram nos campos de concentração ou de extermínio. Em 1940, Ritter escreveu num relatório:

“Fomos capazes de provar que mais do que 90% dos assim chamados ciganos nativos são mestiços...... Outros resultados de nossas investigações permitem-nos caracterizar os ciganos como um povo de origens etnológicas totalmente primitivas, cujo atraso mental os torna incapazes de uma real adaptação social..... A questão cigana só pode ser resolvida reunindo o grosso dos mestiços ciganos associais e imprestáveis em grandes campos de trabalho e mantendo-os trabalhando, e parando para sempre a futura procriação desta população mestiça”.

Para cada cigano, Ritter emitia então um “Certificado”, assinado por ele pessoalmente ou por sua assistente Eva Justin, no qual constavam além do nome e dados pessoais, o grau de ciganidade. Quase sempre o diagnóstico era: “mestiço cigano”, o que na prática correspondia a uma condenação à esterilização ou à deportação e internação (e posterior extermínio) em campos de concentração.

Eva Justin, na época, era apenas uma simples enfermeira, sem qualquer formação acadêmica, mas que apesar disto sonhava com o título de Doutor, e para obtê-lo escreveu uma ‘tese’ sobre a suposta inadaptabilidade social de crianças ciganas, estudando durante apenas seis semanas um grupo de crianças ciganas internadas numa espécie de orfanato, sem contato com seus pais ou outros ciganos adultos. Obviamente chegou à conclusão que a boa educação recebida neste internato de nada adiantou e que as crianças continuaram tão associais como antes; para ela, crianças ciganas eram simplesmente incorrigíveis, eram associais e criminosos natos.
 
A “tese” foi defendida em 1943, na Universidade de Berlim. Poucos dias após a obtenção do diploma, as 39 crianças ciganas do orfanato, as cobaias de sua pesquisa e que até então tinham sido poupadas, foram deportadas para Auschwitz; somente quatro sobreviveram.
A partir de 1942 os métodos eugenéticos (esterilização e confinamento) foram substituídos por outro, considerado mais eficiente: o genocídio, ou seja a eliminação física destas pessoas, nos campos de concentração e fora deles. Em dezembro de 1942, Himmler ordena enviar todos os ciganos alemães para Auschwitz-Birkenau, então dirigida por Josef Mengele, onde foi instalada uma seção com 40 barracas só para ciganos, ordem depois repetida nos territórios ocupados. Dos 23.000 ciganos internados no campo de extermínio de Auschwitz, cerca de 20.000 morreram e uns 3.000 foram transferidos para outros campos. Os últimos ciganos de Auschwitz, conforme a metódica contabilidade alemã exatamente 2.897, foram todos enviados para as câmaras de gás na noite de 2 de agosto de 1944.
 
 Registros de Bernadac
Também outros campos de concentração receberam ciganos, embora em número menor do que Auschwitz. Bernadac publica quase três centenas de páginas com testemunhos de ciganos internados em vários destes campos de concentração. Nem todos eram campos de extermínio e possuíam câmaras de gás e crematórios, mas nem por isto eram menos desumanos. Em Bergen-Belsen, por exemplo, os internos, entre os quais muitos ciganos, eram lentamente assassinados por inanição, sendo os mortos enterrados em enormes valas perto do campo. Quando Bergen-Belsen foi tomado pelos ingleses, em 1945, encontraram cerca de 10.000 corpos ainda insepultos, e cerca de 40.000 pessoas ainda vivas, das quais pouco depois ainda morreram umas 13.000, em parte por causa dos maus tratos e doenças anteriores (em especial o tifo), em parte também por causa da super-alimentação logo dada pelos bem intencionados ingleses, mas que muitos dos subnutridos já não conseguiram mais digerir. Fatos semelhantes foram registrados também em outros campos de concentração. Exércitos não costumam levar também nutricionistas, e por isso, na época, ainda não se sabia – ou pelo menos os soldados e oficiais ainda não sabiam - que pessoas altamente subnutridas também podem morrer por causa de repentina super-alimentação.
Na França existiam até campos de concentração somente para ciganos, administrados pelas próprias autoridades francesas. Não se tratava de campos de extermínio, mas quase sempre de campos de trabalhos forçados e por serem campos em geral pequenos, para uma centena até alguns poucos milhares de pessoas, as condições de vida eram, em geral, melhores do que nos campos administrados pelos alemães. Bernadac chama estes campos, apropriadamente, “as antecâmaras francesas de Auschwitz”, porque principalmente no final da guerra, muitos dos 30 mil ciganos internados nestes campos franceses foram deportados para os campos de extermínio existentes na Alemanha e em outros países.
O tratamento desumano, as terríveis experiências médicas, as câmaras de gás e os crematórios, e outros tantos horrores cometidos pelos alemães nestes campos de concentração, supomos suficientemente conhecidos por todos. Estima-se que 250 a 500 mil de ciganos foram assassinados pelos nazistas. Os números exatos nunca serão conhecidos, mas todos os documentos provam que os judeus não foram as únicas vítimas da perseguição racista pelos nazistas. A única diferença é que o holocausto judeu, e com justa razão, até hoje sempre costuma ser relembrado e não faltam memoriais para lembrar isto, inclusive em Auschwitz. O holocausto cigano, no entanto, costuma ser varrido debaixo do tapete, costuma ser simplesmente ignorado ou esquecido, como algo de menor importância, ou pior ainda como algo que nunca aconteceu, e praticamente não existem monumentos que lembram o holocausto cigano.

Todas as pesquisas de Ritter e outros sobre as características raciais dos ciganos, suas medições físicas, suas amostras de sangue, as crueis experiências biológicas de Mengele com ciganos em Auschwitz, foram de repente esquecidas. Preferiu-se esquecer ainda circulares oficiais como uma já de 1938, sobre “O combate à praga cigana”, que afirmava: “A experiência até agora acumulada no combate à praga cigana e os resultados da pesquisa biológica-racial mostram que é recomendável abordar a regulamentação da questão cigana do ponto de vista racial”, como de fato aconteceu depois.
 
O famoso Tribunal de Nuremberg, instituído pelos ‘aliados’ logo após a II Guerra Mundial para condenar europeus que cometeram crimes contra a Humanidade, concentrou suas atividades em crimes contra judeus, mas não há registro de criminosos de guerra condenados por crimes cometidos contra ciganos. Inúmeros judeus – e com toda a razão – tiveram oportunidade para apresentar seus depoimentos e suas denúncias, mas nenhum cigano foi convocado ou aceito para depor ou para denunciar.
 
Antes pelo contrário, alguns conhecidos e comprovados criminosos anti-ciganos (mas não anti-judeus!) foram até promovidos: Robert Ritter e Eva Justin, por exemplo, foram considerados inocentes e após a guerra viveram ainda um bom tempo exercendo tranquilamente a profissão! Em sua defesa foi alegado que os dois nunca mataram pessoalmente um cigano! Que comprovadamente mandaram dezenas de milhares de ciganos para a morte com seus pseudo-científicos “Certificados de Ciganidade”, não foi levado em consideração. Em 1947 a prefeitura de Frankfurt contratou Ritter como psiquiatra infantil, e no ano seguinte Eva Justin foi contratada como psicóloga criminal e infantil, para cuidar - imaginem só! - da re-educação de crianças associais e desajustadas, muitas das quais certamente vítimas da guerra.

 
 o Dr. Ritter e a sua assistente Eva justin em pesquisas


2.897, foram todos enviados para as câmaras de gás na noite de 2 de agosto de 1944.

Campo de  Bergen-Belsen
 Grupo de enfermeiras inglesas em Bergen-Belsen

Eva Justin morreu em 1966, de câncer. Em 1958, o Frankfurt promotor iniciou uma investigação sobre suas ações de guerra, mas a investigação foi encerrada em 1960, após o promotor ter concluído que suas ações estavam sujeitas ao prazo prescricional . (Sua tese de doutorado, intitulada "Lebensschicksale artfremd erzogener Zigeunerkinder und Ihrer Nachkommen" ( Inglês : A história da vida de alienígenas levantou Gypsy crianças e seus descendentes), foi baseada em estudos de "Gypsy Mischlinge" half- Romani crianças que foram tiradas de seus pais e criada em orfanatos e lares adotivos, sem qualquer contato com a cultura romani.

 Fonte:
Franz Monnem/Núcleo de Estudos Ciganos - Recife - Ano 2000
 http://www.ushmm.org/education/resource/roma/roma.php

Os anos passam e as histórias devem ser contadas,
sem desculpas e sem falso sofrimento,
sem minimizações, sem folclore.
Apesar de tudo, porque da alegria e da desconfiança?
Apesar de sempre, hoje relembramos,
amanhã lutaremos de novo e assim por diante,
porque caminhar é preciso. Sempre.
Cozinha dos Vurdóns - um projeto da AMSK/Brasil

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

DE 1.900 ATÉ HOJE - COMEÇANDO A ENTENDER

 
  Foto: Jacques Leonard 
Barcelona Gitana

•1906: França remove todos os cartões de identidade dos Rroms.
•1920: durante a República de Weimar foi proibido aos Rroms usarem parques e sanitários públicos e foram forçados a registrarem-se em delegacias de polícia. 



•1922: Alemanha começa um programa para recolher as impressões digitais e fotografar os Rroms. O Professor Hans Gunther f. acusa os Rroms de trazerem sangue estrangeiro para a Europa.
•1933-34: Hitler chega ao poder na Alemanha. Os músicos de etnia Rroms são defendidos pela Casa Cultural do Estado, começam as  esterilizações forçadas para o Rroms, o boxeador Johann Trollman (Sinti) vê seu ex-título de Campeão  peso ligeiro ser retirado e começa a "A semana dos mendigos" significa que milhares de Rroms foram presos. Aqueles que não podem provar sua nacionalidade alemã são expulsos.
•1935-38: Na Alemanha, todos os Rroms estão sujeitos às leis de Nuremberg para a proteção de sangue e honra alemão. Os Rroms na Alemanha perdem o direito de voto e é aberto o campo de detenção de Marzahn, Hitler publica o decreto geral para combater a ameaça CIGANA e abre o Escritório de Saúde sobre Higiene Racial e Unidade Biológica.
•Em 1938, Rroms da Alemanha são declarados anti-social, são presos e enviados para executar trabalho forçado a fim de construir campos de concentração. No mesmo ano a Rússia - Stalin proíbe o uso do Rromani,  cultura e idioma.
•1940-A primeira ação de genocídio em massa do Holocausto ocorre em crianças de Buchenwald. Lá 250 crianças de etnia Rrom servem como cobaias humanas para testar cristais de gás Zyklon-b.
•1941-44: Na Alemanha, em Julho, Himmler dá as ordens «l'Einsatz commando» quer dizer "matar todos os judeus, ciganos e doentes mentais."
•Em 1944, 1400 Rroms que estavam em Auschwitz aptos para o trabalho são enviados para Buchenwald. Os 2.900 Roms restantes tentam se defender com paus e pedras, mas são derrotados e presos em câmaras de gás.
•1945 – Enquanto a II Guerra Mundial chega ao fim, continua a ser ilegal para o cidadão Rrom viver na maior parte do território europeu do pós-guerra.
•1962: Os tribunais da República Federal da Alemanha declararam que o Rroms foram perseguidos durante o Holocausto por motivos raciais, no entanto, os sobreviventes não partilham os milhões de dólares de compensação dado aos outros sobreviventes do Holocausto.
•1966: «O Conselho Gypsy» Conselho Rrom foi fundado na Grã-Bretanha.
•1969: Bulgária cria escolas de segregação para as crianças Rroma. Os países dos antigos Estados Soviéticos seguem o mesmo exemplo.
•1970 – O Conselho Nacional de educação para os Rroms é criado na Inglaterra.



•1971 – Celebra-se em Londres, Inglaterra o Congresso Rromaní (I), que adota o "Romany, Romani", bem como a bandeira nacional, a bandeira da Índia é tida como modelo. Outras considerações também surgem, tais como a inclusão de um alfabeto Rromaní, a proteção da língua e cultura e a implementação dos direitos humanos.
•1972: A República Checa começa a esterilização forçada de mulheres Rroma. O governo pretende a encerrar o processo apenas em 2007, mas relatórios de esterilização estão sendo examinados, o governo se recusa a pagar qualquer forma de compensação para as mulheres afetadas.
•1977: Um sub-comitê das Nações Unidas toma uma decisão relativa à proteção dos Rroms.
•1979: A União Romani é reconhecida pelo Conselho Económico e social das Nações Unidas.
•1981-Iugoslávia reconhece a nacionalidade dos Rroma.
•1987: Nos Estados Unidos, é nomeado pelo Conselho Para a Memória do Holocausto, o primeiro membro de etnia Rromaní, sete anos após esta Agência, sete anos após ter sido criada.
•1989: A Alemanha expulsa os Rroms estrangeiros.
•1990 – O quarto Congresso Mundial Romani adota um alfabeto para o idioma Rromaní.
•1991: Os Rroms ganham direitos iguais na Macedónia.
•1960-1999: Os povos Rroms enfrentaram perseguição e morte devido a ataques recebidos, tanto por parte dos civis como pelos governos em toda a Europa.
•Em 1997, bandos neo Nazi barbarizam e matam impunemente os Rroms na Sérvia. Motins e manifestações periódicas ainda estão acontecendo, especialmente na Europa Oriental, onde crianças Rroma são rebaixadas para a parte inferior das escolas durante as aulas ou em classes de educação especial, são rotineiramente espancadas e excluídas por estudantes e professores.
•1998-99: Conflito no Kosovo, comunidades Rroms são atacados por todos os lados do conflito.
•2008-9: Um acampamento Rrom, num bairro nas proximidades de Nápoles é queimada por um grupo de pessoas. As autoridades italianas destroem outro bairro deslocando os Rroms para acampamentos temporários sem água ou eletricidade. O Primeiro-ministro dá todo o poder às autoridades locais para proceder as expulsões e a recolha de impressões digitais dos Rroms, incluindo também nesta medida as crianças. Explode uma indignação geral, mas a Comissão Europeia não exigi do primeiro-Ministro Berlusconi que cessem a tomada de impressões digitais. Os Rroms de outros países da União Europeia são expulsos sem possibilidade de recurso.
•2009-11: O neo-Nazis intimidam e acuam várias comunidades Rroms na Hungria e na República Checa. Continua a violência repetida, emprego e habitação são os alvos das discriminações e ameaças. O assédio constante pelas autoridades em toda a Europa do Leste, força muitos Rroms a fugir para a Europa Ocidental.
•2010-11: A Polícia francesa mata uma jovem Rrom em um ponto de controle em Vallée de la Loire, provocando tumultos (a sede da polícia é totalmente destruída). Em resposta, o Presidente francês Sarkozy ordenou o desmantelamento e a destruição de cerca de 300 campos Rroms, acusando estes campos de serem um nicho de criminalização, ordena o afastamento dos Rroms oriundos da Europa Oriental. Durante esses confrontos com a polícia francesa, Roms de nacionalidade francesa são também capturadas. As expulsões não tem em conta o direito de asilo das comunidades do bloco europeu. A Comissária Europeia Viviane Reding declarou que as deportações violaram as disposições da União Europeia em matéria de liberdade e mobilidade, mas finalmente, Sarkozy acaba por continuar com as expulsões arbitrárias. 

 David Turnley - 1993 - CORBIS

•2011: Em Kosovo, milhares de refugiados Rroms que tiveram suas casas destruidas durante a guerra, permanecem em campos de refugiados sem instalações sanitárias, localizadas perto de lixões onde são derramadas substâncias tóxicas contaminando a água e a terra.  Os outros grupos de refugiados receberem alojamento. Um campo preenchido por Rroms em Mitrovica é colocado em uma antiga mina de materiais pesados, causando saturnismo (intoxicação de chumbo) na população.

 
 Cozinha dos Vurdóns - neste ano, plantamos esperança.

 outras referencias -

















http://holocausto-doc.blogspot.com/

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